sexta-feira, 30 de abril de 2010

Respire


Eu quero que você me respire.
Eu vou entrar em você,
Vou entrar nos seus pulmões;
Vou penetrar cada fibra do seu ser.
Eu quero que você me respire.
Eu estarei dentro de você,
Quando tossir serei eu fazendo cócegas em você.
Vou entrar na sua cabeça
Vou acabar com suas noites de insônia
Vou estar em seus sonhos todo o tempo.
Você desejará minha presença em cada um deles.
Eu quero que você me respire.
Vou penetrar sua mente
Eu estarei lá em cada pensamento,
Em cada suspiro,
Em cada devaneio.
Eu quero que você me respire.
Vou chegar em você onde ninguém mais esteve.
Eu quero que você me respire.
Quando sentir dor de cabeça
serei eu...
Mas quando ficar cansado
Eu te dou força,
Quando se sentir triste
Eu te mando lembranças felizes,
Eu te farei feliz,
Eu te dou paz quando for preciso,
Vou estar bem dentro de você.
É só você ... me respirar ...

Gosto do teu gosto


Do teu alvo sorriso,
Da maciez dos seus lábios,
Da voz que sai da tua boca.
Gosto dos teus braços
e de como eles me abraçam.
Gosto da tua firmeza
Do fogo que arde em teu olhar
Gosto da tua força
Do quão frágil sou diante dela.
Gosto da doce sensação de ter-te
e ser tua.
Gosto do gozo de gostar de você.


Chamas da Paixão


Tu que fizeste queimar em meu peito
as chamas da paixão,
a brasa ardente.
Saíbas que as lágrimas que
derramei por ti encharcaram a lenha
onde um dia a paixão ardeu.
É já morta a paixão por ti
nesse peito inundado pelo pranto meu.
E por ti paixão jamais verás arder dentro de mim novamente.



*Foi uma noite difícil quando escrevi isso.

Edmond Rostand - poeta e dramaturgo francês


O Beijo

Um beijo, mas, enfim, que grande coisa é essa?
Jura que de mais perto é jurada, promessa
Mais clara, confissão que quer confirmação;
Ponto róseo no "i" da palavra paixão,

Segredo que se diz à boca em vez de orelha,
Instante do infinito em sussurro de abelha,

Com ressaibos de flor amável comunhão.
Modo de respirar um pouco o coração
E de provar um pouco, à flor dos lábios, a alma!


(Cyrano de Bergerac, act lll, século lX)
Tradução: Ricardo Gonçalves.

Sua obra máxima, a peça Cyrano de Bergerac, que estreou com estrondoso sucesso em 1897, em Paris, no Théàtre de la Porte-Saint-Martin.


Vinicius de Moraes -o poetinha- carioca,diplomata, dramaturgo,jornalista,poeta e compositor.




Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.