quarta-feira, 28 de abril de 2010

Clarice Lispector

"Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais fortes, dos cafés mais amargos, dos pensamentos mais complexos e dos sentimentos mais intensos.
Tenho um apetite feroz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: E daí?... Eu adoro voar!"

Certezas

Não quero alguém que morra de amor por mim…
Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.
Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo,
quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim…
Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível…
E que esse momento será inesquecível..
Só quero que meu sentimento seja valorizado.
Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre…
E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.
Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém…
e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos,
que faço falta quando não estou por perto.
Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras,
alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho…
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons
sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente
importa, que é meu sentimento… e não brinque com ele.
E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca
cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter
forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe…
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.
Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia,
e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos,
talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas…
Que a esperança nunca me pareça um “não” que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como “sim”.
Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder
dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim,
sem ter de me preocupar com terceiros…
Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.
Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão…
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas,
que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim…
e que valeu a pena.



**Algumas pessoas postam esse texto em blogs com a informação de que ele pertence ao mestre Mario Quintana - por quem sou apaixonada, mas acabei achando uma informação que atribui a autoria a Adriana Britto - infelizmente não achei nenhum site falando mais sobre ela. De qualquer forma é um belíssimo texto. Espero que vocês gostem. Ele já salvou meu dia.








Cecília Meireles


Brasileira, carioca e ela se apresenta assim: "Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno." - Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade.


Se não houvesse montanhas!
Se não houvesse paredes!
Se o sonho tecesse malhas
e os braços colhessem redes!

Se a noite e o dia passassem
como nuvens, sem cadeias,
e os instantes da memória
fossem vento nas areias!

Se não houvesse saudade,
solidão nem despedida...
Se a vida inteira não fosse,
além de breve, perdida!

Eu não tinha cavalo de asas,
que morreu sem ter pascigo
E em labirintos se movem
Os fantasmas que persigo.

Meus amores são como nuvens


Os amores são como nuvens;

Insistem em passear pelo céu

da vida, atraindo sentimentos

Até que o vento da razão lhes sopra

e assim como tudo, passam.

Alguns deixam saudade,

Outros já vão tarde.

A verdade é que jazem

habitando somente a lembrança,

última morada.

Oh, minha alma, porque choras?

Não sabes que o mel que da boca

escorre torna-se veneno

se do amor não provém?

Buscaste o ardor dos beijos

Sem antes abrir os olhos

e agora, choras!

Não chores, nem te entristeças,

Pois o verdadeiro amor ainda há

de encontrar-te

Emily Dickinson


Um dos maiores nomes da poesia lírica norte americana do século XlX, seus poemas falam com sutileza sobre pequenas coisas do dia-a-dia, da fluidez do tempo, ora sobre composições que tratam da morte e de tensões psicológicas.

A word is dead
When it is said,
Some say

I say it just
Begins to live
That day.

Camilo Pessanha, poeta do Simbolismo português.


Interrogação

Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, crê! nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.

Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito
Como a esposa sensual do Cântico dos cânticos.

Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno...
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de Inverno.

Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu não demoro a olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.

Eu não sei se é amor. Será talvez começo...
Eu não sei que mudança a minha alma pressente...
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.

Momentos que nos exigem superação são importantes na vida e foi em um momento "fossa" que escrevi isso que vem a seguir.


4:20

Um poeta disse certa vez “a maior dor do vento é não ser colorido” e a minha maior dor ainda é a de nunca ter encontrado alguém que me saiba amar.

Não creio mais que o amor existe.

Outro poeta já disse que o amor é uma velha canção nos ouvidos de sua amada, mas para os meus essa canção jamais foi tocada.

Camões disse que “o amor é fogo” e para mim ele não parece com nada; Não tem cheiro, não tem gosto, nem cor, nem rosto, nem religião.

Volto a questionar; Ele existe?

Acredito no amor de pai e mãe para com o filho, no amor fraternal talvez, mas só.

Não há nada além.

O ser humano é incapaz de amar além disso.

Não é da natureza de um homem amar verdadeiramente uma mulher.

Não é da natureza da mulher ter seus sentimentos correspondidos por um homem a quem ela entrega o corpo, a alma e o coração.

Nem paixão, nem amor, eles jamais se entregarão.