quarta-feira, 28 de abril de 2010
Clarice Lispector
Certezas
Cecília Meireles

Se não houvesse paredes!
Se o sonho tecesse malhas
e os braços colhessem redes!
Se a noite e o dia passassem
como nuvens, sem cadeias,
e os instantes da memória
fossem vento nas areias!
Se não houvesse saudade,
Eu não tinha cavalo de asas,
que morreu sem ter pascigo
E em labirintos se movem
Os fantasmas que persigo.
Meus amores são como nuvens

Os amores são como nuvens;
Insistem em passear pelo céu
da vida, atraindo sentimentos
Até que o vento da razão lhes sopra
e assim como tudo, passam.
Alguns deixam saudade,
Outros já vão tarde.
A verdade é que jazem
habitando somente a lembrança,
última morada.
Oh, minha alma, porque choras?
Não sabes que o mel que da boca
escorre torna-se veneno
se do amor não provém?
Buscaste o ardor dos beijos
Sem antes abrir os olhos
e agora, choras!
Não chores, nem te entristeças,
Pois o verdadeiro amor ainda há
Emily Dickinson

Camilo Pessanha, poeta do Simbolismo português.

Interrogação
Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, crê! nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.
Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito
Como a esposa sensual do Cântico dos cânticos.
Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno...
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de Inverno.
Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu não demoro a olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.
Eu não sei se é amor. Será talvez começo...
Eu não sei que mudança a minha alma pressente...
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.
Momentos que nos exigem superação são importantes na vida e foi em um momento "fossa" que escrevi isso que vem a seguir.

4:20
Um poeta disse certa vez “a maior dor do vento é não ser colorido” e a minha maior dor ainda é a de nunca ter encontrado alguém que me saiba amar.
Não creio mais que o amor existe.
Outro poeta já disse que o amor é uma velha canção nos ouvidos de sua amada, mas para os meus essa canção jamais foi tocada.
Camões disse que “o amor é fogo” e para mim ele não parece com nada; Não tem cheiro, não tem gosto, nem cor, nem rosto, nem religião.
Volto a questionar; Ele existe?
Acredito no amor de pai e mãe para com o filho, no amor fraternal talvez, mas só.
Não há nada além.
O ser humano é incapaz de amar além disso.
Não é da natureza de um homem amar verdadeiramente uma mulher.
Não é da natureza da mulher ter seus sentimentos correspondidos por um homem a quem ela entrega o corpo, a alma e o coração.
Nem paixão, nem amor, eles jamais se entregarão.
