quarta-feira, 19 de maio de 2010

Florbela - poetisa portuguesa - a grande figura feminina das primeiras décadas da literatura portuguesa do século XX.


Florbela Espanca trás temas do sofrimento, da solidão, do desencanto, aliados a uma imensa ternura e a um desejo de felicidade e plenitude que só poderão ser alcançados no absoluto, no infinito. A veemência passional da sua linguagem, marcadamente pessoal, centrada nas suas próprias frustrações e anseios, é de um sensualismo muitas vezes erótico. Simultaneamente, a paisagem da charneca alentejana está presente em muitas das suas imagens e poemas, transbordando a convulsão interior da poetisa para a natureza.


Só


Eu tenho pena da Lua!

Tanta pena, coitadinha,
Quando tão branca, na rua
A vejo chorar sozinha!…

As rosas nas alamedas,
E os lilases cor da neve
Confidenciam de leve
E lembram arfar de sedas

Só a triste, coitadinha…
Tão triste na minha rua
Lá anda a chorar sozinha …

Eu chego então à janela:
E fico a olhar para a lua…
E fico a chorar com ela! …

sábado, 1 de maio de 2010

Júlo Cortázar, escritor argentino.



Toco a tua boca, com um dedo toco o contorno da tua boca, vou desenhando essa boca como se estivesse saindo da minha mão,como se pela primeira vez a tua boca se entreabrisse e basta-me fechar os olhos para desfazer tudo e recomeçar. Faço nascer, de cada vez, a boca que desejo, a boca que minha mão escolheu e te desenha no rosto, uma boca eleita entre todas, com soberana liberdade eleita por mim para desenhá-la com minha mão em seu rosto e que por um acaso, que não procuro compreender, coincide extamente com a tua boca que sorri debaixo daquela que a minha mão te desenha.
Tu me olhas, de perto tu me olhas, cada vez mais de perto e, então, brincamos de cíclope, olhando-nos cada vez mais de perto e nossos olhos se tornam maiores, aproximam-se, sobrepõem-se e os cíclopes se olham, respirando indistintas, as bocas encontram-se e lutam debilmente, mordendo-se com os lábios, apoiando ligeiramente a língua nos dentes, brincando nas suas cavernas, onde um ar pesado vai e vem com um perfume antigo e um grande silêncio. Então, as minhas mãos procuram afogar-se nos teus cabelos, acariciar lentamente a profundidade do teu cabelo enquanto nos beijamos como se tivéssemos a boca cheia de flores ou peixes, de movimentos vivos, de fragrância obscura. E, se nos mordemos, a dor é doce; e, se nos afogarmos num breve e terrível absorver simultâneo de fôlego, essa instantânea morte é bela. E já existe uma só saliva e um só sabor de fruta madura, e eu te sinto tremular contra mim, como uma lua na água.



*A maravilhosa descrição feita por Julio Cortázar no capítulo 7 deO Jogo da Amarelinha - o beijo mais arrebatador da literatura.
tradução para o português é de Fernando de Castro Ferro.
**Cortázar declarou sobre sua infância: "Pasé mi infancia en una bruma de duendes, de elfos, con un sentido del espacio y del tiempo diferente al de los demás". - Nascido em Bruxelas criado em Banfield, na Argentina - Cortázar era uma criança bastante enferma e passava muito tempo na cama, lendo livros que sua mãe selecionava.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Respire


Eu quero que você me respire.
Eu vou entrar em você,
Vou entrar nos seus pulmões;
Vou penetrar cada fibra do seu ser.
Eu quero que você me respire.
Eu estarei dentro de você,
Quando tossir serei eu fazendo cócegas em você.
Vou entrar na sua cabeça
Vou acabar com suas noites de insônia
Vou estar em seus sonhos todo o tempo.
Você desejará minha presença em cada um deles.
Eu quero que você me respire.
Vou penetrar sua mente
Eu estarei lá em cada pensamento,
Em cada suspiro,
Em cada devaneio.
Eu quero que você me respire.
Vou chegar em você onde ninguém mais esteve.
Eu quero que você me respire.
Quando sentir dor de cabeça
serei eu...
Mas quando ficar cansado
Eu te dou força,
Quando se sentir triste
Eu te mando lembranças felizes,
Eu te farei feliz,
Eu te dou paz quando for preciso,
Vou estar bem dentro de você.
É só você ... me respirar ...

Gosto do teu gosto


Do teu alvo sorriso,
Da maciez dos seus lábios,
Da voz que sai da tua boca.
Gosto dos teus braços
e de como eles me abraçam.
Gosto da tua firmeza
Do fogo que arde em teu olhar
Gosto da tua força
Do quão frágil sou diante dela.
Gosto da doce sensação de ter-te
e ser tua.
Gosto do gozo de gostar de você.


Chamas da Paixão


Tu que fizeste queimar em meu peito
as chamas da paixão,
a brasa ardente.
Saíbas que as lágrimas que
derramei por ti encharcaram a lenha
onde um dia a paixão ardeu.
É já morta a paixão por ti
nesse peito inundado pelo pranto meu.
E por ti paixão jamais verás arder dentro de mim novamente.



*Foi uma noite difícil quando escrevi isso.

Edmond Rostand - poeta e dramaturgo francês


O Beijo

Um beijo, mas, enfim, que grande coisa é essa?
Jura que de mais perto é jurada, promessa
Mais clara, confissão que quer confirmação;
Ponto róseo no "i" da palavra paixão,

Segredo que se diz à boca em vez de orelha,
Instante do infinito em sussurro de abelha,

Com ressaibos de flor amável comunhão.
Modo de respirar um pouco o coração
E de provar um pouco, à flor dos lábios, a alma!


(Cyrano de Bergerac, act lll, século lX)
Tradução: Ricardo Gonçalves.

Sua obra máxima, a peça Cyrano de Bergerac, que estreou com estrondoso sucesso em 1897, em Paris, no Théàtre de la Porte-Saint-Martin.


Vinicius de Moraes -o poetinha- carioca,diplomata, dramaturgo,jornalista,poeta e compositor.




Ternura

Eu te peço perdão por te amar de repente
Embora o meu amor seja uma velha canção nos teus ouvidos
Das horas que passei à sombra dos teus gestos
Bebendo em tua boca o perfume dos sorrisos
Das noites que vivi acalentado
Pela graça indizível dos teus passos eternamente fugindo
Trago a doçura dos que aceitam melancolicamente.
E posso te dizer que o grande afeto que te deixo
Não traz o exaspero das lágrimas nem a fascinação das promessas
Nem as misteriosas palavras dos véus da alma...
É um sossego, uma unção, um transbordamento de carícias
E só te pede que te repouses quieta, muito quieta
E deixes que as mãos cálidas da noite encontrem sem fatalidade o olhar extático da aurora.

quinta-feira, 29 de abril de 2010

A PRIMEIRA VEZ QUE ENTENDI



A primeira vez que entendi do mundo
alguma coisa
foi quando na infância
cortei o rabo de uma lagartixa
e ele continuou se mexendo.

De lá pra cá
fui percebendo que as coisas permanecem
vivas e tortas
que o amor não acaba assim
que é difícil extirpar o mal pela raiz.

A segunda vez que entendi do mundo
alguma coisa
foi quando na adolescência me arrancaram
do lado esquerdo três certezas
e eu tive que seguir em frente.

De lá pra cá
aprendi a achar no escuro o rumo
e sou capaz de decifrar mensagens
seja nas nuvens
ou no grafite de qualquer muro.


Affonso Romano de Sant´Anna

Amor e Medo



Estou te amando e não percebo,
porque, certo, tenho medo.
Estou te amando, sim, concedo,
mas te amando tanto
que nem a mim mesmo
revelo este segredo.



Affonso Romano de Sant´Anna

Affonso Romano de Sant´Anna, escritor brasileiro nascido em Belo Horizonte-MG.

Silêncio Amoroso

Deixa que eu te ame em silêncio

Não pergunte, não explique, deixe

que nossas línguas se toquem,

e as bocas e a pele

falem seus líquidos desejos

Deixa que eu te ame sem palavras

a não ser aquelas que na lembrança ficarão

pulsando para sempre

Como se o amor e a vida

fosse um discurso de impronunciáveis emoções


*Visitem o site oficial do autor: www.affonsoromano.com.br/


quarta-feira, 28 de abril de 2010

Clarice Lispector

"Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais fortes, dos cafés mais amargos, dos pensamentos mais complexos e dos sentimentos mais intensos.
Tenho um apetite feroz e os delírios mais loucos.
Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer: E daí?... Eu adoro voar!"

Certezas

Não quero alguém que morra de amor por mim…
Só preciso de alguém que viva por mim, que queira estar junto de mim, me abraçando.
Não exijo que esse alguém me ame como eu o amo,
quero apenas que me ame, não me importando com que intensidade.
Não tenho a pretensão de que todas as pessoas que gosto, gostem de mim…
Nem que eu faça a falta que elas me fazem, o importante pra mim é saber que eu, em algum momento, fui insubstituível…
E que esse momento será inesquecível..
Só quero que meu sentimento seja valorizado.
Quero sempre poder ter um sorriso estampando em meu rosto, mesmo quando a situação não for muito alegre…
E que esse meu sorriso consiga transmitir paz para os que estiverem ao meu redor.
Quero poder fechar meus olhos e imaginar alguém…
e poder ter a absoluta certeza de que esse alguém também pensa em mim quando fecha os olhos,
que faço falta quando não estou por perto.
Queria ter a certeza de que apesar de minhas renúncias e loucuras,
alguém me valoriza pelo que sou, não pelo que tenho…
Que me veja como um ser humano completo, que abusa demais dos bons
sentimentos que a vida lhe proporciona, que dê valor ao que realmente
importa, que é meu sentimento… e não brinque com ele.
E que esse alguém me peça para que eu nunca mude, para que eu nunca
cresça, para que eu seja sempre eu mesmo.
Não quero brigar com o mundo, mas se um dia isso acontecer, quero ter
forças suficientes para mostrar a ele que o amor existe…
Que ele é superior ao ódio e ao rancor, e que não existe vitória sem humildade e paz.
Quero poder acreditar que mesmo se hoje eu fracassar, amanhã será outro dia,
e se eu não desistir dos meus sonhos e propósitos,
talvez obterei êxito e serei plenamente feliz.
Que eu nunca deixe minha esperança ser abalada por palavras pessimistas…
Que a esperança nunca me pareça um “não” que a gente teima em maquiá-lo de verde e entendê-lo como “sim”.
Quero poder ter a liberdade de dizer o que sinto a uma pessoa, de poder
dizer a alguém o quanto ele é especial e importante pra mim,
sem ter de me preocupar com terceiros…
Sem correr o risco de ferir uma ou mais pessoas com esse sentimento.
Quero, um dia, poder dizer às pessoas que nada foi em vão…
Que o amor existe, que vale a pena se doar às amizades e às pessoas,
que a vida é bela sim, e que eu sempre dei o melhor de mim…
e que valeu a pena.



**Algumas pessoas postam esse texto em blogs com a informação de que ele pertence ao mestre Mario Quintana - por quem sou apaixonada, mas acabei achando uma informação que atribui a autoria a Adriana Britto - infelizmente não achei nenhum site falando mais sobre ela. De qualquer forma é um belíssimo texto. Espero que vocês gostem. Ele já salvou meu dia.








Cecília Meireles


Brasileira, carioca e ela se apresenta assim: "Nasci aqui mesmo no Rio de Janeiro, três meses depois da morte de meu pai, e perdi minha mãe antes dos três anos. Essas e outras mortes ocorridas na família acarretaram muitos contratempos materiais, mas, ao mesmo tempo, me deram, desde pequenina, uma tal intimidade com a Morte que docemente aprendi essas relações entre o Efêmero e o Eterno." - Em toda a vida, nunca me esforcei por ganhar nem me espantei por perder. A noção ou o sentimento da transitoriedade de tudo é o fundamento mesmo da minha personalidade.


Se não houvesse montanhas!
Se não houvesse paredes!
Se o sonho tecesse malhas
e os braços colhessem redes!

Se a noite e o dia passassem
como nuvens, sem cadeias,
e os instantes da memória
fossem vento nas areias!

Se não houvesse saudade,
solidão nem despedida...
Se a vida inteira não fosse,
além de breve, perdida!

Eu não tinha cavalo de asas,
que morreu sem ter pascigo
E em labirintos se movem
Os fantasmas que persigo.

Meus amores são como nuvens


Os amores são como nuvens;

Insistem em passear pelo céu

da vida, atraindo sentimentos

Até que o vento da razão lhes sopra

e assim como tudo, passam.

Alguns deixam saudade,

Outros já vão tarde.

A verdade é que jazem

habitando somente a lembrança,

última morada.

Oh, minha alma, porque choras?

Não sabes que o mel que da boca

escorre torna-se veneno

se do amor não provém?

Buscaste o ardor dos beijos

Sem antes abrir os olhos

e agora, choras!

Não chores, nem te entristeças,

Pois o verdadeiro amor ainda há

de encontrar-te

Emily Dickinson


Um dos maiores nomes da poesia lírica norte americana do século XlX, seus poemas falam com sutileza sobre pequenas coisas do dia-a-dia, da fluidez do tempo, ora sobre composições que tratam da morte e de tensões psicológicas.

A word is dead
When it is said,
Some say

I say it just
Begins to live
That day.

Camilo Pessanha, poeta do Simbolismo português.


Interrogação

Não sei se isto é amor. Procuro o teu olhar,
Se alguma dor me fere, em busca de um abrigo;
E apesar disso, crê! nunca pensei num lar
Onde fosses feliz, e eu feliz contigo.

Por ti nunca chorei nenhum ideal desfeito.
E nunca te escrevi nenhuns versos românticos.
Nem depois de acordar te procurei no leito
Como a esposa sensual do Cântico dos cânticos.

Se é amar-te não sei. Não sei se te idealizo
A tua cor sadia, o teu sorriso terno...
Mas sinto-me sorrir de ver esse sorriso
Que me penetra bem, como este sol de Inverno.

Passo contigo a tarde e sempre sem receio
Da luz crepuscular, que enerva, que provoca.
Eu não demoro a olhar na curva do teu seio
Nem me lembrei jamais de te beijar na boca.

Eu não sei se é amor. Será talvez começo...
Eu não sei que mudança a minha alma pressente...
Amor não sei se o é, mas sei que te estremeço,
Que adoecia talvez de te saber doente.

Momentos que nos exigem superação são importantes na vida e foi em um momento "fossa" que escrevi isso que vem a seguir.


4:20

Um poeta disse certa vez “a maior dor do vento é não ser colorido” e a minha maior dor ainda é a de nunca ter encontrado alguém que me saiba amar.

Não creio mais que o amor existe.

Outro poeta já disse que o amor é uma velha canção nos ouvidos de sua amada, mas para os meus essa canção jamais foi tocada.

Camões disse que “o amor é fogo” e para mim ele não parece com nada; Não tem cheiro, não tem gosto, nem cor, nem rosto, nem religião.

Volto a questionar; Ele existe?

Acredito no amor de pai e mãe para com o filho, no amor fraternal talvez, mas só.

Não há nada além.

O ser humano é incapaz de amar além disso.

Não é da natureza de um homem amar verdadeiramente uma mulher.

Não é da natureza da mulher ter seus sentimentos correspondidos por um homem a quem ela entrega o corpo, a alma e o coração.

Nem paixão, nem amor, eles jamais se entregarão.

terça-feira, 27 de abril de 2010

Flores da alma

Não há nada mais valioso

Não há sentimento melhor

do que a paz.

Quem já sentiu a plenitude dentro de si

O completo sentimento de calmaria feliz, a paz.

Que faz sorrir os justos

Que dá força aos desesperados

Que brota da alma, quando o último fio de esperança está prestes a se romper

E como uma fênix ela renasce dentro de nós

E toma conta de nosso ser tão completamente, que deixa todos os problemas superáveis, toda dor suportável

Tudo possível.

Traz o amor, essa força misteriosa, para dentro dos corações novamente e tudo se torna primavera

E brotam flores na alma.

Flores que o vento não pode derrubar.

Dos sabores da vida.


É engraçado pensar na vida sem gosto de alguma coisa. Somos tão ligados a essa idéia que quando alguém não nos agrada dizemos que a pessoa é “sem sal”. Quando é algo indiferente dizemos que “não fede nem cheira”.

De que forma isso poderia ser mais engraçado?

Parei pra pensar nisso quando lendo sobre o fato de guardarmos recordações por cheiro e paladar me lembrei de alguns momentos da minha vida: o primeiro deles foi o doce de abóbora em formato de coração (que toda criança já deve ter comido ao menos uma vez na vida. Se não comeu é por que não foi criança.) e tinha também o suco maravilhoso que minha mãe fazia pra nós, com laranja e cenoura (eu amava a cor e o gosto.)

E como eu sempre fui uma criança de paladar exótico... Confesso que a comida vegetariana sempre me agradou desde pequena e agora vou contar o segredo.

Eu morava na Rua Piauí, ali bem em frente ao Mackenzie, vizinho ao prédio tinha um restaurante indiano (é claro que não me lembro mais do nome), a dona do restaurante tinha duas afilhadas Paula e Vanessa, que eram minhas amiguinhas. Acabei virando quase que uma afilhada da dona Regina (a dona do restaurante que era indiana e vegetariana é claro). E como estava sempre por ali me convidavam para almoçar lá quase todos os dias. Encantei-me por arroz integral, batata frita, feijão e frutas (são as coisas que lembro de comer com mais freqüência lá).

Lembro-me também de um doce ótimo, que eu comprava no bar do seu Zé, um português que tinha um armazém também ao lado do prédio, o nome do doce era “teta de nega,” não ri não, hein? Hoje em dia todos conhecem como “Dip-dop” vem numa caixa com seis, eu acho. Nada mais é do que um confeito de marshmallow coberto com chocolate. Naquela época chamávamos um chocolate delicioso de “Lolo” (e quem nunca comeu um desses?... Deve lembrar então do atual “Milkybar,”(que eu particularmente acho um nome muito do “sem sal”).

Tenho muitas outras recordações de sabores da infância, mas só porque quero descrevê-las não vou me lembrar agora. É a vida, depois que agente cresce a memória vai pregando peças... Também, quem mandou ter muita coisa na cabeça!?

Vamos ver então se me lembro de algum sabor da adolescência?!

Ah, tem vários, muitos deles até se misturam com passado, presente e o futuro à Deus pertence... Não é assim que dizem? E é a mais pura verdade!

Bom voltando aos sabores... Adolescência tem muito gosto de milk-shake, morango, bolos e bebidas diferentes, mas essas tenho que ser sincera e dizer a verdade, mesmo sendo fã de heavy metal e seus afins eu não bebi álcool em meus anos rebeldes. Parece engraçado, mas pra mim é muito normal, enquanto todo mundo “pagava vários micos” euzinha ficava ali me divertindo sóbria e “de camarote”... confesso que provei bem pouco do que meus amigos bebiam naquela época. Vamos falar dos sabores e paladar e olfato são despertos por eles, não é?

Meus anos rebeldes têm gosto de refrigerante e chocolate, muito chocolate (nessa fase da vida desenvolvi um vício por chocolate que não se compara a nada do que tive na infância. Vício esse que ainda me acompanha.)

Amo o chocolate nosso de cada dia.

Depois dessa declaração de amor me lembrei de algo... E os sabores dos momentos importantes, marcantes, saborosos???

O meu primeiro beijo foi legal, mas como todo primeiro beijo teve gosto de saliva. O último, ou o mais recente, teve gosto de saudade e não deixou saudade.

Mas tive muitos beijos com gosto de Smirnoff Ice, outros com gosto de mousse de chocolate... Hummmmmmmmmmmmmm, desses eu tenho saudade sim!

Uns gelados, outros quentes até demais... Uhuuuuuuuuuuuuuuu!!!! Adoro essa parte!!!

E quando estamos apaixonados as noites também tem gosto. Minhas noites apaixonadas têm gosto de creme de chocolate. Quando e onde vou deixar a cargo da imaginação do leitor. Uma coisa eu posso dizer. São noites de fechar os olhos e lembrar mesmo com os mais inspirados pensamentos.

Como eu sou grata por ter feito as coisas no meu momento. É muito bom poder dizer eu vivi cada segundo daqueles momentos do jeitinho que eu queria que fosse. E guardo memórias magníficas dos meus momentos.

A idade adulta tem gosto de muita coisa também, mas o gosto do vinho é impossível não comentar. Sim, porque adolescente não bebe vinho que preste, mas na idade adulta... Nós podemos, nós bebemos.

Ainda não sou fã de bebida, mas odeio cerveja principalmente o cheiro. Homem bonito com cheiro de cerveja me desanima, mas se ele for feio com cheiro de cerveja ai eu passo longe. Nem olho pra trás.

Já os destilados com moderação eu acho legal. Sempre que bebo com meus amigos procuro beber um suco natural em seguida. E tem mais, destilado não deixa cheiro como os fermentados.

Agora a comida é mais moderada. Menos fritura, menos porcaria e moderação com o chocolate nosso de cada dia.

É, quando se é criança temos tudo e queremos crescer só por que ninguém sabe como é, se não...

E a família? Minhas lembranças com a família têm gosto de almoço de domingo com a macarronada da minha mãe ou a lasanha do papito. (TUDO DE BOM!!!) Gosto de aniversário da vó Augusta com bolo e salgadinho. E tem gosto de comer panetone com meus pais na manhã do dia de Natal todos os anos.

Ah, sem duvida os sabores que remetem a família são mais triviais e bem mais gostosos por que dinheiro nenhum no mundo paga esses momentos.

E você, quais são os sabores da sua vida?

Todos nós nascemos folhas em branco.


Nela podemos esperar de tudo. Expectativas não faltarão.

Um dia nós abrimos os olhos e tudo era novo. Milhares de cores, sabores, cheiros, sentimentos... aprendemos a usar os sentidos.

O gosto de brincar, aprender, fazer amigos, tudo foi nos apresentado de forma muito especial, cada coisa a seu tempo.

Era como se nossos pais fossem acrescentando ingredientes a uma receita, que chamamos de vida. É isso, um dia fomos “a esperança” de alguém. Dá pra imaginar? Por mais difícil que pareça, fomos esperança para pessoas que por mais problemas que tivessem olhavam aquele ser pequenino e desejavam dias melhores.

Todo o amor, carinho, cuidado e tudo o mais que era preciso nossos pais nos deram.

Mais crianças crescem. E com o tempo vão perder essa ternura, que dará lugar a um sentimento de autoridade sobre a própria vida, o próprio quarto, as conversas no telefone com amigas (os), os namoros, as percepções, vontades, preferências, tudo passa a lhes pertencer de uma forma que ninguém mais deve tomar partido. Nem pai, nem mãe, nem qualquer outra pessoa que não faça parte de seu grupo de melhores amigos.

Mesmo com os inconvenientes trazidos pelo ego adolescente o amor dos pais não diminui, mas as expectativas aumentam a cada dia. Quem não quer ter do que se orgulhar quando falar sobre seus filhos com os amigos de longa data?

Logo eles chegam a uma idade em que tudo realmente se complica. Sim, por que até esse momento era só tempestade em copo d’água.

Mas um dia temos que escolher o que estudar, onde estudar? Será que vamos conseguir fazer isso o resto da vida? Xiiii, é ai que começam os problemas.

E as expectativas? E tudo o que eles (os pais) esperam de nós? Será que é possível viver sem decepcioná-los mesmo que na vida as decepções já tenham chegado até mesmos a nós? E aí? E agora?

É preciso coragem pra viver. É preciso coragem e ousadia para viver bem. E é preciso segurança para seguir em frente mesmo quando tudo no mundo parece conspirar contra nós.

Mas o mais valioso nisso tudo é saber que existe alguém que pode te abraçar e dar um conselho enquanto você apóia a cabeça no colo, ou no ombro e aí eles vêm e te dão um beijo e dizem que vai ficar tudo bem, e você percebe que o mundo não vai acabar por que você não passou naquela prova, ou por que você levou um fora, ou não conseguiu o emprego dos seus sonhos.

Os pais sempre estão ali para dizer que você tem a vida toda pela frente, mas também são capazes de dizer quando é preciso correr contra o tempo.

E inegavelmente nos deixam melhor sabendo da sua proteção. Sua confiança e presença mesmo quando crescemos.

Na verdade eles se preocupam muito mais do que nós com o que será escrito em nossas folhas em branco desde o nosso primeiro dia em suas vidas.