terça-feira, 27 de abril de 2010

Flores da alma

Não há nada mais valioso

Não há sentimento melhor

do que a paz.

Quem já sentiu a plenitude dentro de si

O completo sentimento de calmaria feliz, a paz.

Que faz sorrir os justos

Que dá força aos desesperados

Que brota da alma, quando o último fio de esperança está prestes a se romper

E como uma fênix ela renasce dentro de nós

E toma conta de nosso ser tão completamente, que deixa todos os problemas superáveis, toda dor suportável

Tudo possível.

Traz o amor, essa força misteriosa, para dentro dos corações novamente e tudo se torna primavera

E brotam flores na alma.

Flores que o vento não pode derrubar.

Dos sabores da vida.


É engraçado pensar na vida sem gosto de alguma coisa. Somos tão ligados a essa idéia que quando alguém não nos agrada dizemos que a pessoa é “sem sal”. Quando é algo indiferente dizemos que “não fede nem cheira”.

De que forma isso poderia ser mais engraçado?

Parei pra pensar nisso quando lendo sobre o fato de guardarmos recordações por cheiro e paladar me lembrei de alguns momentos da minha vida: o primeiro deles foi o doce de abóbora em formato de coração (que toda criança já deve ter comido ao menos uma vez na vida. Se não comeu é por que não foi criança.) e tinha também o suco maravilhoso que minha mãe fazia pra nós, com laranja e cenoura (eu amava a cor e o gosto.)

E como eu sempre fui uma criança de paladar exótico... Confesso que a comida vegetariana sempre me agradou desde pequena e agora vou contar o segredo.

Eu morava na Rua Piauí, ali bem em frente ao Mackenzie, vizinho ao prédio tinha um restaurante indiano (é claro que não me lembro mais do nome), a dona do restaurante tinha duas afilhadas Paula e Vanessa, que eram minhas amiguinhas. Acabei virando quase que uma afilhada da dona Regina (a dona do restaurante que era indiana e vegetariana é claro). E como estava sempre por ali me convidavam para almoçar lá quase todos os dias. Encantei-me por arroz integral, batata frita, feijão e frutas (são as coisas que lembro de comer com mais freqüência lá).

Lembro-me também de um doce ótimo, que eu comprava no bar do seu Zé, um português que tinha um armazém também ao lado do prédio, o nome do doce era “teta de nega,” não ri não, hein? Hoje em dia todos conhecem como “Dip-dop” vem numa caixa com seis, eu acho. Nada mais é do que um confeito de marshmallow coberto com chocolate. Naquela época chamávamos um chocolate delicioso de “Lolo” (e quem nunca comeu um desses?... Deve lembrar então do atual “Milkybar,”(que eu particularmente acho um nome muito do “sem sal”).

Tenho muitas outras recordações de sabores da infância, mas só porque quero descrevê-las não vou me lembrar agora. É a vida, depois que agente cresce a memória vai pregando peças... Também, quem mandou ter muita coisa na cabeça!?

Vamos ver então se me lembro de algum sabor da adolescência?!

Ah, tem vários, muitos deles até se misturam com passado, presente e o futuro à Deus pertence... Não é assim que dizem? E é a mais pura verdade!

Bom voltando aos sabores... Adolescência tem muito gosto de milk-shake, morango, bolos e bebidas diferentes, mas essas tenho que ser sincera e dizer a verdade, mesmo sendo fã de heavy metal e seus afins eu não bebi álcool em meus anos rebeldes. Parece engraçado, mas pra mim é muito normal, enquanto todo mundo “pagava vários micos” euzinha ficava ali me divertindo sóbria e “de camarote”... confesso que provei bem pouco do que meus amigos bebiam naquela época. Vamos falar dos sabores e paladar e olfato são despertos por eles, não é?

Meus anos rebeldes têm gosto de refrigerante e chocolate, muito chocolate (nessa fase da vida desenvolvi um vício por chocolate que não se compara a nada do que tive na infância. Vício esse que ainda me acompanha.)

Amo o chocolate nosso de cada dia.

Depois dessa declaração de amor me lembrei de algo... E os sabores dos momentos importantes, marcantes, saborosos???

O meu primeiro beijo foi legal, mas como todo primeiro beijo teve gosto de saliva. O último, ou o mais recente, teve gosto de saudade e não deixou saudade.

Mas tive muitos beijos com gosto de Smirnoff Ice, outros com gosto de mousse de chocolate... Hummmmmmmmmmmmmm, desses eu tenho saudade sim!

Uns gelados, outros quentes até demais... Uhuuuuuuuuuuuuuuu!!!! Adoro essa parte!!!

E quando estamos apaixonados as noites também tem gosto. Minhas noites apaixonadas têm gosto de creme de chocolate. Quando e onde vou deixar a cargo da imaginação do leitor. Uma coisa eu posso dizer. São noites de fechar os olhos e lembrar mesmo com os mais inspirados pensamentos.

Como eu sou grata por ter feito as coisas no meu momento. É muito bom poder dizer eu vivi cada segundo daqueles momentos do jeitinho que eu queria que fosse. E guardo memórias magníficas dos meus momentos.

A idade adulta tem gosto de muita coisa também, mas o gosto do vinho é impossível não comentar. Sim, porque adolescente não bebe vinho que preste, mas na idade adulta... Nós podemos, nós bebemos.

Ainda não sou fã de bebida, mas odeio cerveja principalmente o cheiro. Homem bonito com cheiro de cerveja me desanima, mas se ele for feio com cheiro de cerveja ai eu passo longe. Nem olho pra trás.

Já os destilados com moderação eu acho legal. Sempre que bebo com meus amigos procuro beber um suco natural em seguida. E tem mais, destilado não deixa cheiro como os fermentados.

Agora a comida é mais moderada. Menos fritura, menos porcaria e moderação com o chocolate nosso de cada dia.

É, quando se é criança temos tudo e queremos crescer só por que ninguém sabe como é, se não...

E a família? Minhas lembranças com a família têm gosto de almoço de domingo com a macarronada da minha mãe ou a lasanha do papito. (TUDO DE BOM!!!) Gosto de aniversário da vó Augusta com bolo e salgadinho. E tem gosto de comer panetone com meus pais na manhã do dia de Natal todos os anos.

Ah, sem duvida os sabores que remetem a família são mais triviais e bem mais gostosos por que dinheiro nenhum no mundo paga esses momentos.

E você, quais são os sabores da sua vida?

Todos nós nascemos folhas em branco.


Nela podemos esperar de tudo. Expectativas não faltarão.

Um dia nós abrimos os olhos e tudo era novo. Milhares de cores, sabores, cheiros, sentimentos... aprendemos a usar os sentidos.

O gosto de brincar, aprender, fazer amigos, tudo foi nos apresentado de forma muito especial, cada coisa a seu tempo.

Era como se nossos pais fossem acrescentando ingredientes a uma receita, que chamamos de vida. É isso, um dia fomos “a esperança” de alguém. Dá pra imaginar? Por mais difícil que pareça, fomos esperança para pessoas que por mais problemas que tivessem olhavam aquele ser pequenino e desejavam dias melhores.

Todo o amor, carinho, cuidado e tudo o mais que era preciso nossos pais nos deram.

Mais crianças crescem. E com o tempo vão perder essa ternura, que dará lugar a um sentimento de autoridade sobre a própria vida, o próprio quarto, as conversas no telefone com amigas (os), os namoros, as percepções, vontades, preferências, tudo passa a lhes pertencer de uma forma que ninguém mais deve tomar partido. Nem pai, nem mãe, nem qualquer outra pessoa que não faça parte de seu grupo de melhores amigos.

Mesmo com os inconvenientes trazidos pelo ego adolescente o amor dos pais não diminui, mas as expectativas aumentam a cada dia. Quem não quer ter do que se orgulhar quando falar sobre seus filhos com os amigos de longa data?

Logo eles chegam a uma idade em que tudo realmente se complica. Sim, por que até esse momento era só tempestade em copo d’água.

Mas um dia temos que escolher o que estudar, onde estudar? Será que vamos conseguir fazer isso o resto da vida? Xiiii, é ai que começam os problemas.

E as expectativas? E tudo o que eles (os pais) esperam de nós? Será que é possível viver sem decepcioná-los mesmo que na vida as decepções já tenham chegado até mesmos a nós? E aí? E agora?

É preciso coragem pra viver. É preciso coragem e ousadia para viver bem. E é preciso segurança para seguir em frente mesmo quando tudo no mundo parece conspirar contra nós.

Mas o mais valioso nisso tudo é saber que existe alguém que pode te abraçar e dar um conselho enquanto você apóia a cabeça no colo, ou no ombro e aí eles vêm e te dão um beijo e dizem que vai ficar tudo bem, e você percebe que o mundo não vai acabar por que você não passou naquela prova, ou por que você levou um fora, ou não conseguiu o emprego dos seus sonhos.

Os pais sempre estão ali para dizer que você tem a vida toda pela frente, mas também são capazes de dizer quando é preciso correr contra o tempo.

E inegavelmente nos deixam melhor sabendo da sua proteção. Sua confiança e presença mesmo quando crescemos.

Na verdade eles se preocupam muito mais do que nós com o que será escrito em nossas folhas em branco desde o nosso primeiro dia em suas vidas.